terça-feira, 22 de janeiro de 2013

NOSSO PRECONCEITO COM O VEGETARIANISMO

Arte de Peter Blake
 
Não valorizamos os vegetarianos. Não reconhecemos os vegetarianos. Somos injustos com quem não come carne.
 
O estilo de vida é interpretado como uma deficiência, ainda mais no Rio Grande do Sul, onde imperam as churrascarias.
 
Ao conversar com um vegetariano, sempre quero convertê-lo. Ponho a batina. Fico moralista. Latinizo meu sotaque.
 
Reedito o embate ancestral entre o jesuíta e o índio. Ele precisa encontrar o Deus da Picanha. Não posso deixá-lo perecer longe do paraíso de um faisão temperado.
 
Preocupo-me com seu destino de pecador. Toca-me a vontade social de estender meus hábitos e dividir a conta no açougue.
 
Não comer carne é identificado como um trauma, algo de grave aconteceu para abdicar das delícias naturais. Ninguém abandonaria em sã consciência um filé selado e cheio de molho para passar o pão.
 
Talvez o sujeito guarde a lembrança de ovelha sendo descarnada na infância, e simplesmente sofra de nojo.
 
É olhar um vegetariano que desejo pagar terapia para ele. Sou tomado de um calor paternal, me dá esperanças de rifa.
 
Na verdade, sou como a maioria dos gaúchos. De mentalidade delirante e preconceituosa.
 
Desconfio da dieta. Confundo com teimosia, charme, que é insistir um pouco que o vegetariano abandona sua horta e desanda a chupar uma ripa da costela.
 
É impossível que seja feliz despeitando seu instinto primitivo, desrespeitando a tábua de salvação do espeto e dos amigos.
 
Nem posso discutir com um vegetariano, que meu impulso é trazê-lo para perto de uma churrasqueira.
 
Nem posso debater com um vegetariano, que meu impulso é comprar carvão e engradados de cerveja.
 
Por mais que acumule MBA, não assimilo a escolha madura e acertada, feita para melhorar a saúde e assegurar a longevidade. Avalio como um atentado ao prazer da mesa, uma renúncia carnal.
 
É totalmente louco de minha parte. Merecia ser internado numa fazenda hippie.
 
Enxergo o vegetariano como alguém que desistiu do sexo, que optou pela abstinência. Cometo gafes a torto e a direito. Pergunto, inclusive, quantos dias ele está “jejuando”.
 
É evidente minha descrença, a falta de lógica e de civilidade do juízo.
 
Tenho pena visceral, comparo o vegetariano a um prisioneiro eterno da Sexta-Feira da Paixão.  Condenado a repetir esse dia de privação pelo resto dos dias. Sem à la minuta. Sem xis bacon.
 
Sou curioso com o vegetariano, como se ele portasse doença rara. A curiosidade indica o preconceito. Faço perguntas destravadas e inconsequentes para entender como que ele funciona.
 
Não termino de questioná-lo. Não haverá outro assunto, a não ser a dinâmica de sua dieta e a origem de sua dieta.
 
E descubro, no fundo, que ele odeia ser chamado de vegetariano, que deveria estudar antes de falar bobagem.
 
Pois o vegetariano tem mais facções que o PT e todas as alas brigam pelo poder da velhice.
 
É o semivegetarianismo, o ovolactovegetarianismo, o lactovegetarianismo, o ovovegetarianismo, o vegetarianismo semiestrito e o vegetarianismo estrito.
 
Viver já foi bem mais fácil, e conviver também.



Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 2, 22/1/2013
Porto Alegre (RS), Edição N° 17320

54 comentários:

Vivi Bittencourte disse...

Belíssima crônica!

"E descubro, no fundo, que ele odeia ser chamado de vegetariano, que deveria estudar antes de falar bobagem."

Na verdade preferimos dizer, apenas: não como carne!

Eu sou assim.

Não somos produtos para sermos rotulados!

Isabel Ayala disse...

Então...Fabrício. Não sou vegetariana, ainda. Mas não consigo mais comer carne vermelha.Não sei...pode ser algo físico. Mas eu não tenho vontade e a carne não me faz falta. Não me imagino participando de churrascos ou, até mesmo, assando um pedaço de bovino em casa (forno ou churrasqueira). Vou ao supermercado e a carne vermelha é algo que, às vezes,nem lembro de comprar. Quando lembro, algo me diz: "É ruim...é dura...indigesta...deixa a vaca viver!" Claro...o frango ainda faz parte do meu dia a dia...mas já me imagino não comendo frango, também. Essa mudança está sendo algo natural e não tenho um monge vegano perto de mim. Acho que todos meus amigos e familiares próximos comem picanha...seja bem ou mal passada.
Eu entendo, profundamente, o vegetarianismo, pois é algo que faz parte da alma. Os vegetarianos não pensam em deixar a carne de lado. Simplesmente, nem pensam nisso...e somente os carnívoros é que nervosos com isso.

Te adoro, Fabrício!

Chuí disse...

Eu faço um esforço, por exemplo quando cozinho, faço um churrasco tento democratizar a refeição e incluir os meus amigos vegetarianos o único problema é com os vegetarianos doutrinadores, que além de não comer ficam como evangelizadores do seu estilo de vida.

Cristiano Gomes disse...

Meu pai sempre fala.... "não devemos confiar em quem não come carne" :)

Anônimo disse...

Tudo que falaste me lembra a mim.. Faço exatamente isso com um colega vegetariano. Não consigo entender como ele não gosta de uma picanha sangrenta.

Paula disse...

Fabrício, talvez estejas certo, quando afirmas que o convívio já foi bem mais fácil. Eu acrescento, e bem menos interessante também. Já é tempo de se viver num mundo plural, formado, justamente, pela soma de singularidades, que agora e cada vez mais, podem ser compostas pelos gostos e preferências individuais. Estamos ganhando espaço para fazermos nossas opções, só estamos esquecendo que elas devem vir acompanhada do respeito às escolhas dos outros.

Anônimo disse...

Eu odeio que fiquem falando sobre o que eu como ou deixo de comer na hora das refeições, é a mesma coisa alguém que não gosta de cebola e nós ficarmos enchendo o saco pra que a pessoa coma. E que tonto o pai desse Cristiano. Não devemos confiar em alguém que não goste de bicho, isso sim! ;)

Cristiane Oshima disse...

Hahahahhahhaha, muito perfeito!
É bem isso que fazem conosco!

bandidartista disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
bandidartista disse...

não há coisas mais importantes para comentar??? questões sociais, falta de esgoto e água encanada, emprego, saúde e educação? sou vegetariano e não vou dizer que fiquei ofendido, porque esse tipo de comentário, tentando ser cool, tá cheio por aí... o que me admira é alguém renomado, com uma cancha invejável, estar comentando essas atrocidades... senhor carpinejar, torne mais interessante sua escrita que eu só li porque minha querida irmã me indicou achando que eu ficaria ofendido com seu pouco texto. abraço

Milene Cristina disse...

Fiquei oito anos sem comer carne.Voltei à comer há tres.Pra falar a verdade, me sentia melhor quando não comia.

Renata disse...

http://www.youtube.com/watch?v=KmIprNpcd94

Unknown disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Ivy disse...

Ah é? Então vamos lá. Começo pela máxima pérola: “Enxergo o vegetariano como alguém que desistiu do sexo”. Huuum...aah, os prazeres da vida: posso presumir então que são sempre pautados em quem consome quem, porque se existe a comparação entre sexo e a ingestão de carne como medidas iguais de prazer, então não sei o que pensar de quem se submete a isso com você. É curiosa essa noção de prazer, quer dizer, curiosa pra mim, pra você é só limitada. Claro que aqui se trata de mais uma daquelas pessoas que crescem e se expõem ao mundo com uma expressão tosca do sarcasmo e da ironia, que nunca passarão perto de Oscar Wilde e, portanto, precisam apelar dentro do conceito de semi-intelectual cool antenado nas ondas de comunicação contemporâneas emprestado por quem procura a literatura que abre em pop-ups. São escolhas, o cara tem alcance, tem admiradores, pode escolher disseminar o que quiser, é um direito; assim como o direito que ele tem de ser menor. Assim como uma grande parte dos vegetarianos, eu também sou geralmente a única da roda e, como havia postado ontem, tenho o grande privilégio de contar com não-vegetarianos do meu convívio íntimo que além de respeito, prestam-me com fartura nas mesas de qualquer ocasião, portanto, isso não é um post contra carnívoros, é um post contra o desrespeito e o mal uso da literatura. Obviamente, trata-se de um senhor que não pauta suas escolhas de vida em nada de significativo; quando digo “escolhas de vida” me refiro ao fato de que existem aqueles que acreditam em uma consciência própria em cada ato do seu dia-a-dia, que acreditam que tudo desde o papel que não se joga no chão, o semáforo que não se passa no vermelho até aquilo que se decide assistir na televisão são coisas que compõem o que somos e como atuamos e influenciamos o nosso mundo. Não pensar em nada disso é direito de um boçal, claro. Se um vegetariano, ou um grupo de vegetarianos decide se expor dentro de suas crenças e defesas em relação aos demais animais que não nós, prontamente existe a nossa tachação como pessoas agressivas que procuram impor sua vontade custe o que custar, e que acreditam-se como detentores de uma verdade maior; sim, porque a tachação ou é disso, ou é de provenientes de comunidades hippies com resquícios de LSD. Bem, em nossa maioria, somos pessoas de diversos centros urbanos, com as mesmas vidas dos carnívoros, perto de tudo o que é “normal” e corriqueiro, porém, com menos deficiências no organismo, uma vez que nosso cardápio atinge lonjuras bem maiores do que a maioria daqueles que se saciam com a carne, e, claro, os prazeres: como os conhecemos como sendo bem menos fáceis, visíveis e acessíveis em qualquer restaurante, também os conhecemos em coisas, pessoas e lugares que um sujeito menor sequer pensa em conhecer, assim como nossos amigos e namorados carnívoros que não deixam de comer nada que querem e ainda acrescentam muito aos seus menus. E quanto ao sexo e demais prazeres...bem, em 30 minutos já fizemos a nossa digestão, acho que sobra bastante tempo e energia corporal para a prática de algo bem mais intenso em relação à carne. Quanto ao seu desejo de pagar sessões de terapia para nós, por que não propõe isso a superatletas como Martina Navratilova, com seu total de 167 títulos na carreira de tenista; eles devem precisar mesmo de muita ajuda.

ana disse...

O mundo está carente de humor, Fabricio. E você raramente é compreendido quando tenta escrever algo lúdico.

Paulyelson Cezar disse...

È verdade,tudo tem que ser visto pelo lado ruim das coisas...se brincar o humor vai morrer um dia...assim como tantas outras coisas boas.se carpinejar acha isto dos vegetarianos é apenas uma opnião dele,e mais nada,eu o respeito,e acho que não precisa de fim do mundo,por isto.

Anônimo disse...

Adorei o texto, seu humor é para poucos compreenderem...

Anônimo disse...

Awesome! I've just received my free minecraft giftcode!

>> minecraftnow.us <<

Anônimo disse...

Difícil acreditar que alguém nao gosta de chocolate, sorvete ou carne...Mais difícil ainda é assumir a indignação de encontrar pessoas assim. Entendi o texto, porque como Carpinejar nao entende vegetarianos, eu não compreendo alguém judiar de animais ou nao gostar de doce... O CONTRÁRIO É VERDADEIRO TAMBÉM, ME CHOCARIA em VER UM ESCRITOR QUE TANTO GOSTO DEVORANDO A PERNA DE UMA VACA, MESMO ASSADA...rss

VHS_DVD disse...

Bandidartista... Eu acho que tu não entendeu muito bem oque ele quis dizer com a crônica... Ou será que foi eu que não entendi?

VHS_DVD disse...

Bah!! Povo!! Prestem atenção no que ta escrito antes de se sentirem tão ofendidos...

Patrícia Gomes disse...

Sério msm? Acho q o assumto nao é, na vdd, o vegetarianmsmo. Que tal reler,os o texto e pensar em PreconceioS. Os nossos, preferencialmente. E depos, quem sabe, tentar escrever um texto assim, sincero e mezzo sádico:-)

Anônimo disse...

Desculpe se discordam, mas ao meu ver sempre são os vegetarianos que tentam doutrinar quem ñ é vegetariano e o discurso deles é sempre o mesmo. Em geral, vegetariano gosta mesmo é de encher o saco.

Léo Menezes disse...

penso como um processos de conscientização. As pessoas não devem deixar de comer carne, apenas devem comer menos carne e de melhor qualidade, tendo a consciênca do que estão ingerindo e as condições de produção/conservação do alimento. No mais cada um come (e deixa de comer) o que quer. sou vegetariano há 13 anos.

Ah quanto à literatura, achei um pouco frouxa a crônica, Fabrício, principalmente pelo final.a explicação das formas de vegetarianismo não casa com o estilo irônico de todo o resto.

o limite da utilidade da arte é seu desgaste em ser útil

abs

Lèo

Anônimo disse...

para os fanáticos por esse escritor desprovido de talento, discordar de um apanhado de clichês virou "não entender ironia". bacana. prefiro "não entender ironia" a não entender literatura. leiam livros (os importantes, claro) ao invés de blogs de pessoas limitadas (em todos os aspectos).

Noeli disse...

Eu não como carnes - nenhum tipo - e esse é meu segredo. Não prego o vegetarianismo, nem me incomodo com os carnívoros.

Até que um dia as pessoas descobrem e se assustam, mas logo se encantam. Há prazeres na vida dos vegetarianos que os comedores de carne não conhecem.

ana disse...

Estou com a Noeli. Ha prazeres na vida que só os vegetarianos conhecem...

Anônimo disse...

Um texto que exemplifica a falta de bom gosto. Que impera a falta de respeito. Dizer que quem escolhe uma dieta é pecador, é apelativo.Ironizar com inteligência é dizer o que quer sem ofender. Que indelicadeza falar que vegetarianos são "frígidos", escalou baixo o repertório.Faltou assunto para a escrita e para a cachola.Poderia ter feito bonito, de forma mais respeitável. Ironizar o preconceito?Só para quem tem tato. Não é falto de riso ou de humor.É sensibilidade para enxergar a brutalidade em mandar vegetarianos para terapia. Dizer que sente pena. Mas o teu objetivo foi realizado:abrir polêmica, triste que não foi sobre assuntos que realmente constroem. Porque contigo o jogo já tá perdido. Já que tu não está disposto a abrir a porta para novos caminhos.E a convivência com os vegetarianos, só depende de você. V.D

Grassi disse...

Excelente texto. Amo ser vegana.. viver livre de crueldade e de forma mais sustentável ao planeta foi a melhor escolha da minha vida. Como animal que sou, percebi que ngm merece viver de restos e carniças de animais.

Wellington V. Fochetto Jr. disse...

Senhor Carpinejar, se NÃO houve ironia de tua parte no texto -- espero, com sinceridade que tenha havido -- pergunto pra que serve o teu mestrado, se o Senhor não sabe utilizar sua inteligência. É de se lamentar que um formador de opinião possa polemizar com um textículo desses...

O Brasil carece mesmo de pensadores NÃO acadêmicos (haja vista que esses últimos só raciocinam dentro da esfera limitadíssima dos códigos (semióticos, matemáticos etc.)

Sem mais (nem menos...),

Wellington Vinícius Fochetto Junior

Marcio disse...

Achei o texto bacana, não vi desrespeito aos vegetarianos nele. Todas as coisas que você fala sobre perguntas infinitas, preconceitos e curiosidades são exatamente o que vejo fazerem comigo, o tempo todo.
O texto é válido, acima de tudo, porque gera o debate. Parabéns.

Larissa Diehl disse...

Sinceramente não entendi pq alguns vegetarianos se ofenderam com o texto...
Eu como carne, pouca mas como. Já passei tempos sem comer e não me ofendi.
Qual o problema se ele não entende os vegetarianos? Se, como bom gaúcho que é, não entende como pode uma pessoa viver sem carne?
Se comparou o fato de não comer carne a não ter sexo foi simplesmente para dizer que ama muito comer carne.
Pelamordedeus!

Anônimo disse...

Povo escroto esse que come carne e pensa que vegetariano é ET

Anônimo disse...

Que tal escrever um texto legal, sobre os animais?

Sobre o quanto é vergonhoso o sofrimento a que os submetemos desnecessariamente?

Diminuir o consumo de carne, ou parar de comer carne, para muitas pessoas, é uma questão de respeitar o direito de outros seres.

Eu sinto muito que essa questão seja tão pouco defendida pelos ditos intelectuais.

Hippie Roll Ecobags disse...

Minha opinião sobre a a "crônica" de Fabrício Carpinejar,criticando sutilmente o vegetarianismo em sua coluna de hoje no ZH.

- O vegetarianismo está crescendo bastante,muitas são as pessoas que estão tomando consciência que animais não-humanos tem SNC como nós,no entanto compartilham das mesmas sensações.

E com isso cresce o número de "cronistas" em fim de carreira como Fabrício Carpinejar,que aproveitam para se promover em cima do assunto,por ser polêmico.Afinal,qualquer assunto que fale sobre animais,conscientização?Causa polêmica nos churrasqueiros crônicos.

Muito anti-ético,cretina e medíocre da parte desse "moço", em escolher um determinado grupo de pessoas e atacar publicamente em um jornal por não ter a mesma opção de vida que a sua.Foi de uma baixeza sem tamanho.Acredito que se não fosse crime a homofobia e o racismo?Ele com certeza já teria escrito alguma "crônica" sobre o assunto se não condissesse com seu estilo de vida.E sim Fabrício,fazemos muito sexo,ao contrário do que dissestes.Só escolhemos pessoas menos fedidas em seu suor.Cheiro de gordura e putrefação no suor não é nada bom.É nojento e da ânsia de vômito.

A falta de inspiração,informação em algumas pessoas?Se torna a mãe da ignorância.Mas o pior é ver pessoas concordando e atacando nossa escolha de vida.Acredito que seja inveja ou vergonha,já que não conseguem colocar a ética,moral acima da pança.Pra justificar isso veem com argumentos até bíblicos.Tudo para poderem devorar aquele animal,com a consciência mais tranquila.

Esse Fabrício Medíocre Carpinejar ao menos,antes de escrever tanta merda?Deveria se informar mais sobre nossa VASTA alimentação,nossas delícias em bolos,tortas,doces,pães,sorvetes,carnes/calabresas vegetais e tudo mais que nossa cozinha oferece!!Ignorância é pouco!!

Daniel Sacknies Barreto disse...

O Carpinejar demonstra tremenda ignorância sobre o porque de ser vegetariano... Como se fosse uma mania pessoal.. Não percebe ele que ser vegetariano é uma das atitudes mais sistêmicas que pode haver... Respeito pelos animais, pelo planeta e pela nossa saúde. Quem enxerga somente o próprio umbigo normalmente assume essa posição mesmo... E fica fácil de perceber o motivo da ignorância demonstrada nessa coluna tosca, parcial... Eu me senti ofendido. E sobre alguns comentários, humor é o que não falta no mundo... Precisamos é de pessoas sérias, que atuem nos problemas e não fiquem fazendo piadas que nunca resolveram nada... O Carpinejar, se tu quiser enriquecer teu repertório, recomendo que leias "Libertação Animal" de Peter Singer. Depois quero ver tu fazer piada. Pode ler tranquilo, é filosofia do mais alto nível. Só vai te engrandecer. E se depois disso tu realmente conseguir vislumbrar uma parte de nossos motivos, faça um bom uso do prestígio e espaço que tens para mostrar uma realidade que ainda é minoria, mas será o próximo Zeitgeist de nossa era, na sequência do Racismo e Sexismo, na média já superados...

Anônimo disse...

se tu não gostar da minha sugestão de leitura, pode assistir esse filminho.. tem mais imagens e é mais fácil de entender (talvez)

http://www.terraqueos.org/

joão carvalho disse...

Ironia? Alguém?

Luís Camargo disse...

Estamos quites, visto meu preconceito contra quem come cadáver! rsrs

Luís Camargo disse...

Ops, mil desculpas, Carpinejar!!! O comentário anterior e meu, Giulia Pierro. Luis Camargo e meu marido, ele deixou o perfil dele aberto por acaso e eu nao resisti a sua provocaçao!

Evely Libanori disse...

Veganismo. Senciência. Especismo. Abolicionismo animal. Fazendas de criação intensiva. Bioética. O carpinejar não sabe do que estou falando. Se soubesse, não teria escrito esse texto, texto horrível, carpinejar e eu que era sua fã. Achei que você era mais ligado. O carpinejar conhece a realidade de criação e morte dos animais usados para extração de leite, produção de ovos e de carne? Não, ele não conhece. Se conhecesse, em algum momento ele teria falado sobre a ética que move o comportamento vegano: não queremos causar sofrimento e dor. Porque, para a picanha chegar gostosinha na sua boca, o boi passou fome e sede por, no mínimo, dois dias. Para não vomitar e não defecar enquanto é transportado, sabe? Para dar menos trabalho. Para você se deliciar o boi passou fome, recebeu choque para levantar quando caiu no caminhão do transporte. E sentiu muito medo e muita dor para morrer. Houve muito derramamento de sangue. Tenha dó, cara. Dó.

wiliam disse...

é uma lástima... que ainda usemos de perguntas ou inquéritos sobre aquilo que somos incapazes de vivenciar por si... Por acaso algum homossexual sai indagando a outros pq ou como é "engolir um kibe, uma linguiça?"??? n~]ao ele vai lá e... PRONTO! Também em tudo o que é TRANSGRESSOR, MARGINAL, PERIFÉRICO, BORDERLINE, UNDERGROWN etc Não há INQUISIÇÃO, NEM pesquisa de mercado... Ou vc prova da coisa, cai de boca, de quatro etc ou vc não vive em si aquilo que o pertuba! Só quem decide trilha sua opção de vida, de cultura, de tribo seja lá como for que os OUTROS de rotulem: É A TUA VIA DOLOROSA, SÓ SUA, E DE MAIS NINGUÉM, mesmo que tenha milhares com vc no caminho, na endura! Quem escolhe um CURRICULUM de vida, não o faz por causa dos demais, de terceiros, da maioria, pelo contrário: ELE NÃO QUER SER SEMELHANTE, NEM DESSEMELHANTE, MAS APENAS ELE MESMO! E pode ter certeza, qqr um que pergunte ao Fabrício: por que pinta as unhas? PQ tu usa estas roupas, estes óculos, estes calçados esses... Vai incorrer no mesmo erro e mesmice dos que advogam uma ORTODOXIA QUE já, já virará o seu oposto! Abração! E se fror tornar-se vegetariano... Lembre-se: aguente em silêncio, sem responder, nem pleitear nada, não argumente, não dê exemplos, nem nada fundamentado em ciência, arte ou religião... Apenas convide o Cidadão a comer, comungar uma refeição semelhante à tua!

Emerson Santos disse...

Lendo os comentários dos 'vegetariofanáticos" que invadiram aqui, só faço uma observação:

O que anda faltando de verdade é INTELIGÊNCIA.

Ou trata-se de analfabetismo funcional mesmo.

Anônimo disse...

Faço minhas as palavras de Evely Libanori, acima:
"Veganismo. Senciência. Especismo. Abolicionismo animal. Fazendas de criação intensiva. Bioética. O carpinejar não sabe do que estou falando. Se soubesse, não teria escrito esse texto, texto horrível, carpinejar e eu que era sua fã. Achei que você era mais ligado. O carpinejar conhece a realidade de criação e morte dos animais usados para extração de leite, produção de ovos e de carne? Não, ele não conhece. Se conhecesse, em algum momento ele teria falado sobre a ética que move o comportamento vegano: não queremos causar sofrimento e dor. Porque, para a picanha chegar gostosinha na sua boca, o boi passou fome e sede por, no mínimo, dois dias. Para não vomitar e não defecar enquanto é transportado, sabe? Para dar menos trabalho. Para você se deliciar o boi passou fome, recebeu choque para levantar quando caiu no caminhão do transporte. E sentiu muito medo e muita dor para morrer. Houve muito derramamento de sangue. Tenha dó, cara. Dó."

Rosalinda Desirée disse...

É fácil apontar características alheias com ironia e grandes doses de agressividade. Troquemos VEGETARIANOS por FEIOS.

Não valorizamos os feios. Não reconhecemos os feios. Somos injustos com os desprovidos de beleza.

A aparência hedionda é interpretada como uma deficiência, ainda mais no Rio Grande do Sul, onde imperam os loiros, altos de olhos claros.

Ao conversar com um sujeito feio, sempre quero convertê-lo. Ponho a batina. Fico moralista. Latinizo meu sotaque.

Reedito o embate ancestral entre o jesuíta e o índio. Ele precisa encontrar o Deus da Beleza. Não posso deixá-lo perecer longe do paraíso de sentir o que é ser desejado.

Preocupo-me com seu destino de perdedor. Toca-me a vontade social de estender meus hábitos e dividir as delícias de ser admirado.

Ser horroroso pode ser identificado como um trauma, algo de grave acontece a quem é identificado como um ser feio. Ninguém abandonaria em sã consciência uma pessoa bonita e cheia de atributos físicos.

Talvez o sujeito guarde a lembrança do semblante dos parentes - feios como ele próprio - e simplesmente sofra de nojo.

É olhar um ser feio que desejo pagar terapia para ele. Sou tomado de um calor paternal, me dá esperanças de rifa.

Na verdade, sou como a maioria dos gaúchos. De mentalidade delirante e preconceituosa.

Desconfio da feiura. Confundo com teimosia, charme, que é insistir um pouco que o sujeito feio abandone seu complexo de inferioridade e desande a quebrar espelhos.

É impossível que seja feliz despeitando seu instinto primitivo, desrespeitando a tábua de salvação do corpo escultural e das mulheres ou dos homens.

Nem posso discutir com um cara feio, que meu impulso é trazê-lo para perto de um cirurgião plástico.

Nem posso debater com um cara feio, que meu impulso é comprar uma máscara do Mickey ou do Pato Donald.

Por mais que acumule MBA, não assimilo a escolha madura e acertada, feita para preservar a feiura e assegurar a distância das pessoas belas. Avalio como um atentado ao prazer dos olhos, uma renúncia carnal.

É totalmente louco de minha parte. Merecia ser internado numa fazenda hippie.

Enxergo o sujeito feio como alguém que desistiu do sexo, que foi obrigado a optar pela abstinência. Cometo gafes a torto e a direito. Pergunto, inclusive, quantos dias ele está “jejuando”.

É evidente minha descrença, a falta de lógica e de civilidade do juízo.

Tenho pena visceral, comparo o feio a um prisioneiro eterno da repulsa alheia. Condenado a repetir a privação de ser desejado pelo resto dos dias. Sem coxas. Sem peitos.

Sou curioso com o feio, como se ele portasse doença rara. A curiosidade indica o preconceito. Faço perguntas destravadas e inconsequentes para entender como que ele funciona.

Não termino de questioná-lo. Não haverá outro assunto, a não ser a dinâmica de sua aparência e a origem de sua deformidade.

E descubro, no fundo, que ele odeia ser chamado de feio, que deveria estudar antes de falar bobagem.

Pois o feio tem mais facções que o PT e todas as alas brigam pelo poder da velhice.

É o despojado, o descontraído, o largado, o “cool”, o esquisito, o “outsider” e o que finge que nem liga para ser absurdamente feio.

Viver já foi bem mais fácil, e conviver também.

Isabella Mendonça disse...

Pois é Fabrício, bota facções nisso.

Sou uma pessoa que come carne, todos os tipos delas.
Mas não sou a favor do consumo excessivo e abusivo.

Até acho "bonita" a causa dos vegetarianos, mas não sou vegetariana.
E pra ser sincera morro de preguiça de qualquer um que venha querer me catequizar em prol de seus ideais.
Aqui em São Paulo acontece ao contraio, do que acontece aí coma turma gaúcha.

São os vegetarianos que querem catequizar todo mundo.

Veja a situação que me aconteceu ontem.
Eu tava lá na moral... De boa.. Na minha..
Só publiquei a foto de um torresminho no face escrito LOVE!

Pô sou filha de mineira, e aprecio um torresminho..
Ham .. ham só de pensar..rsrs

Aí veio o irmão de uma amiga, (que largou tudo aqui, e foi morar numa comunidade vegetariana no Morro de São Paulo - BA) depreciar o que eu publiquei, querendo dar uma de anarquista comentando com um vídeo que segundo ele são os motivos para não se comer carne.

Até então ok, sou a favor da liberdade de expressão.
Só que do mesmo jeito que ele tem a liberdade de expressão, eu também.
Mandei ver na minha resposta, sem grosseria é claro, mas com franqueza respondi a ele que acha aquela publicação aí naquele momento uma forçação de barra e etc.

Só que depois que mandei o verbo, o bonitão quis se fazer de vítima.
Dizendo que a ideia não era desrespeitar quem come carne, mas sim mostrar para as pessoas como o sistema nos engana e tal.. E que ficou ofendido e tal.

Aquela velha história..
Eles sempre ficam ofendidos, mas não acham que ofendem ninguém.

Na real não aguento mais essa hipocrisia!!

Por que esse povo que diz que não come nada que tenha um rosto, muitas vezes é gente que não faz nada de bom pelo outro.
Que não tem culhões de ajudar o próximo, sem ver a quem.
Só ajuda quem faz parte do próprio grupo estereotipado.

Por que é fácil fugir do caos, e ir para uma comunidade onde tem mais umas 50 pessoas vegetarianas e achar que esta fazendo um bem a humanidade. Aí é mamão com açúcar se enganar.

Pra ser bem franca, cada dia que passa os vegetarianos me afastam mais deles e da causa.
Até por que tem um monte de vegetariano por aí que diz que não come carne, mas usa tênis de couro da Nike.
Qual o sentido??

Não sou líder de uma ONG, não tô mostrando os peitos na Paulista, não tenho dreads, não moro numa comunidade, mas ajudo muita gente do jeito que posso.

Pergunto pra esse povo descolado vegetariano:
Quantas vezes eles compraram uma garrafa de água e deram a um mendigo?
Quantas vezes separam o lixo reciclável da casa deles?
Quantas vezes ajudaram algum desconhecido a carregar alguma coisa pesada?
Quantas vezes ajudaram alguém que tem fome?
Quantas vezes eles ajudaram alguém com alguma coisa que não faz parte do estereotipo deles?
Quantas vezes saíram da casa deles e foram dar uma aula de redação, ou alfabetizar alguém?

To pra conhecer um povo mais preconceituoso que os vegetarianos.
Depois dos Skinheads e dos homofóbicos, vem eles os vegetarianos.

E na real, de coração..
Não conheço nenhum vegetariano feliz.
Todos me parecem depressivos, fracos, perdidos..
Cheios de traumas..

To me sentindo meio mal, por que não quero mais brigar com ninguém.
Quero curtir minha paz interior, e ajudar as pessoas de peito aberto.
Sem julgamentos, sem regras para ajudar.
Com amor e educação vamos mudar a mentalidade das pessoas para melhor.
E não com opressão.

Não adianta o Oprimido, virar o opressor.

Mas parece que a confusão me persegue.

Ai ai.. Que preguiça!
Acho que quero um abraço pra aliviar a dor de ser alvo do preconceito.

Pega a ponte aérea e bora almoçar um belo Bife comigo??
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Grande abraço!
Adorei o texto.

Achei que você foi muito corajoso em enfrentar as facções vegetarianas.
Por que eles são agressivos.

Isabella

Jamara Campos disse...

Ah Isabella,
Eu não ia responder não, mas vou!
Eles não são agressivos! Carnívoros são agressivos! Você já foi a um matadouro? Por que? Não gosta tanto de comer carne? Por que delega a outro ser humano a tarefa hedionda de matar suas vítimas? Ah! É mais fácil, né? Será que você mataria diariamente todos os animais que consome? Acho que não, né? É muito agressivo! E todo o mal da humanidade está nesse consumo abusivo e desrespeito a tantas vidas inocentes, não só nas mesas, mas nos laboratórios, universidades... Eles sentem como nós, tudo o que sentimos, dor, fome, sede, frio, calor, medo, simpatia, amor... Você sabia que os homens brancos e "de bem" protestaram muito e resistiram terrivelmente à libertação dos escravos? Se fosse por eles, ainda teríamos escravos negros, pois era a mentalidade na época que eles eram "inferiores". Assim como no nazismo pregava-se a superioridade da raça ariana, e tudo o que se fazia era em nome desse paradigma. Ainda chegará o dia em que o paradigma da "superioridade humana sobre os animais" será superado. E pessoas como você estarão ultrapassadas. O texto do autor gaúcho critica a falta de educação dos carnívoros em relação às escolhas dos vegetarianos. Ele é simpático à causa. Ele não fala contra o vegetarianismo. Você sim! E, ao contrário do que você pensa, é bem agressiva! Ah! Já entendi! Tá paquerando o escritor, heim? Patético...

Unknown disse...

EI. Acho que os vegetarianos daqui estão pegando muito pesado. EU não como carne, e adorei o texto.. É um desabafo sobre o preconceito dele, preconceito admitido...Todo mundo tem um escondido, e hipocrisia é varrê-lo pra debaixo do tapete e dizer: - Não tenho nada contra mas..- O primeiro passo pra cura de um preconceito é assumi-lo.
Ao lidar com coisas e ideias diferentes das usuais surge essa sensação de estranheza, e ela chega a ser bela. Você ainda não sabe Carpinejar, mas você está apaixonado pelos vegetarianos, mesmo não pretendendo ser um .rs

Mahaya disse...

Acontece que o seu prazer ao comer carne é as custas do sofrimento de animais. Todo mundo tem o direito de concordar com o que quiser, você escolheu concordar com isso e deve respeitar aqueles que não concordam. Eu realmente não entendo como podem julgar aqueles que tentam fazer o bem, mas né, esse é o mundo em que vivemos. E não é por pena que se decide se tornar vegetariano, mas sim por AMOR aos animais

Maria Flores disse...

"Os animais são meus amigos, e eu não como os meus amigos". Deixei de comer animais porque gosto deles e sei que quando os comia não o fazia por necessidade, mas sim por tradição, ignorância e egoísmo. Se podemos sobreviver e até viver melhor e com mais saúde sem matar animais, não existe justificação para o fazermos. É tão simples como isso. Comer animais é uma atitude e um comportamento destrutivo e auto-destrutivo por muitos motivos. O vegetarianismo transmite uma mensagem positiva, de compaixão, de respeito pela vida e pela Natureza e de consciência social e ambiental. Para concluir, quero apenas dizer que hoje, os Direitos dos Animais são um dos meus maiores interesses, pelo qual tenho muito carinho e que desejo apoiar até ao fim da minha vida. Dizer que seria bom ver mudanças significativas a nível global até lá é um eufemismo.Ricardo Petinga

Diogo Falcão disse...

hahaha Ótima crônica. Deixei de comer carne a alguns meses, mas antes de optar por essa dieta agia da mesma forma, fazendo as mais variadas perguntas! "Mas e se um bicho morrer de causas naturais: você não come?" hahaha

Dalli disse...

Simplesmente RIDÍCULO!!! Falta total do que fazer, ao invés de querer entender um vegetariano, que a intenção é apenas não fazer mal a nenhum ser vivo, porque não tenta intender sua própria mente canibal? Quem sabe se auto analisando perceberá quem é o doente da história!

Anônimo disse...

Kkkkkk.... Que engraçado ler uma pessoa tentando ser cool e inteligente escrevendo sua ignorância sobre um assunto. Aqui ficou claro que o escritor da crônica não faz a menor idéia do que se trata o assunto do qual tentou ironizar: o vegetarianismo.
Não sou vegetariana, mas sei que os que são, o são por respeito à vida de seres inocentes.
Um dia eu chego no grau de evolução das pessoas vegetarianas/ veganas. Os caras não comem cadáver, carniça.... E mais importante: não exploram, torturam, matam os animais, ou financiam isso. Estão em ooooooutro nível de evolução!

Anônimo disse...

Eu parei de comer carneiro pois eu não parava de pensar no sofrimento deles mas animais comem animais e diferente de nos eles matam pessoalmente